Mais do que ouvintes: conheça a história de dois grandes fãs do rádio
- Leonardo Oberherr

- 21 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Eloi München e Marcel Cardoso falam sobre suas experiências nostálgicas com o veículo mesmo após o avanço de plataformas digitais
Texto publicado na Beta Redação Unisinos. Disponível clicando aqui.

Spotify, Deezer, YouTube Music, são muitas as plataformas para consumo de música e elas estão cada vez mais presentes no dia-a-dia. Seja nos celulares, aparelhos de MP3, veículos… Mas antes dos aplicativos, o rádio vem servindo, há muito tempo, para ofertar música, conhecimento, informação e interação junto aos ouvintes. Tanto que até hoje seguem no ar as ondas do AM/FM potencializadas pela internet.
Um levantamento realizado pela Kantar Ibope em setembro de 2020 pesquisou 13 regiões metropolitanas e apontou que cerca de 78% de seus moradores escutam rádio. A cada cinco, três afirmaram ouvir alguma emissora diariamente. De acordo com a pesquisa, 81% dos ouvintes escutam suas emissoras através do convencional aparelho de rádio, enquanto 23% acessam pelos celulares.
Mas que tal ser conhecido pela vizinhança como o “mensageiro da rádio”? Ou usar seu apreço por uma emissora como ponte para a formação profissional? São os casos de Eloi München, 61 anos, e Marcel Cardoso, 39 anos. Ambos fizeram de sua paixão pelo rádio um componente fundamental de suas vidas.
Mensagens que ultrapassam gerações
Eloi München, morador de Feliz — cidade na região do Vale do Caí, no Rio Grande do Sul —, é um dos primeiros ouvintes da Rádio Imperial FM 104,5, de Nova Petrópolis. Seu Eloi conta que escuta a rádio criada em 1989 desde suas primeiras transmissões: “Eu ia na casa das pessoas para pegar leite e o pessoal me entregava cartinhas para deixar na rádio, e também recadinhos, pois eu passava na frente [da emissora] sempre que ia trabalhar na Piá [cooperativa de laticínios instalada em Nova Petrópolis]”.
A tradição de ouvir a Imperial passou de geração em geração. Hoje, Carla Auler, estudante de 23 anos, neta de Eloi, conta que pegou gosto pelo estilo musical alemão graças ao avô. “Comecei a ouvir quando ia com meus avós para a Piá, desde meus cinco, seis anos. Como meu avô tinha caminhão próprio e eu passava boa parte do tempo com eles, comecei a ajudar a ‘puxar leite’ e peguei gosto. Hoje em dia eu ainda escuto bastante a rádio, é algo familiar”, revela.
O empreendimento no rádio que pagou a faculdade
O projeto Panáticos de Plantão, criado em 11 de setembro de 2004 por Felipe dos Reis e William Bruno, e é atualizado de maneira independente, sem qualquer ligação com a Jovem Pan. É criada por fãs da emissora e mantida até hoje por ouvintes. A ideia surgiu no antigo chat do site da Jovem Pan FM, que atingia um alto número de participantes nos dias em que o programa musical Na Balada ia ao ar, no intuito de ajudar os ouvintes a informar sobre as músicas que estavam tocando.
Durante sua história, o Panáticos possuiu blog, rádio web, e atualmente está nas redes sociais, trazendo informações sobre a programação da emissora. Há, ainda, o blog Retrô com as várias programações da Jovem Pan, de setembro de 2004, até setembro de 2014.
Mas, de acordo com o diretor do projeto entre 2008 e 2020, Marcel Cardoso, de 39 anos, autônomo e morador da região metropolitana do Rio de Janeiro, o Panáticos foi muito mais do que um simples serviço para os fãs. “Eu ouço a Jovem Pan desde 1995, e hoje, no meu cotidiano, ouço rádio só para música. Ouço todos os dias, e, mesmo que hoje a emissora tenha o jornalismo como carro-chefe, eu acabo me informando muito mais pela internet, e aproveito o rádio para entretenimento.”

Mesmo com as dificuldades de gerenciar o projeto pelo período de 12 anos, Marcel conta com satisfação o que conseguiu através das realizações: “Não conheço, sinceramente, outro projeto feito por fãs de rádio que tenham tomado esta proporção. Falando por mim, 95% dos amigos que tenho tem ligação direta ou indireta com o projeto. Ele me ajudou até a voltar para a faculdade. Com o dinheiro do Google Adsense paguei o vestibular para o curso no qual sou formado hoje: administração”, finaliza.







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